Todos os relacionamentos caracterizam-se como relacionamentos, se, e somente se houver elementos de mediação. Algo que seja capaz de aproximar duas ou mais partes por um interesse comum. Neste sentido, podemos entender melhor a palavra religião, do latim religare, que significa refazer um contato outrora perdido. No presente caso é religar o contato do homem com o sagrado e a divindade. É por isso que toda a religião carece de um meio pelo qual possa estabelecer uma conexão com o ser divino, pressupondo que há um afastamento que demanda a “re-ligação”.

Saibamos de uma coisa: Todo ser humano possui um desejo que lhe move. Entender nossos desejos é a chave para não nos frustrarmos dando lugar aos desejos secundários, fragmentadores do nosso ser. Precisamos dar lugar a um desejo diferente do que a nossa natureza carnal (leia-se: pecado) quer. Esse desejo se encontra na verdadeira humanidade que Deus criou, representada no Éden. E viu que o resultado da criação era muito bom, até que nós (seres humanos) demos lugar a um desejo contrário, que se tornou em morte quando pecamos e nos desligando do ser divino.
O relacionamento humano com Deus, desde esse momento, passou a ser compreendido a partir de maus óculos. Portanto, transferimos os desejos menos importantes de nosso ser para o centro da nossa religiosidade e de nossa vida como um todo. Não demorou para que fossem criados “deuses secundários”, que traduzem o medo, a culpa, a maldade, a inveja, o orgulho, e todas as negatividades humanas foram transferidas para estas divindades, o que reflete mais o relacionamento do homem com demoníaco de que com o divino. Isso tudo para que o homem pudesse encontrar-se novamente com Deus. Frustrante... Os homens se enganaram em todo lugar. Ainda que Deus não tenha deixado de querer mostrar sua face, ninguém conseguiu enxeregá-la olhando para cima, pois ela desceu do vertical para o horizontal, se pôs defronte ao homem, e ele a negou, no próximo a quem negou a mão, e depois, no Jesus a quem negou se entregar. Então Jesus se entregou...
Quando os homens vislumbraram a face de Deus em Jesus, sua revelação mais plena, ficaram inconformados com esta re-ligação que veio à Terra num cavalheirismo divino. Disseram não à mão que Deus estendeu. Logo então, continuaram a fazer do jeito deles, tentando alcançar o céu com suas próprias mãos. Não entenderam que Jesus é a realização do seu maior desejo inerente, uma porta para entrar a Deus, e fazer dele casa e hóspede ao mesmo tempo. O instrumento que Deus usa para se relacionar com o homem sempre será o amor, que nunca poderemos entender, e sempre teremos a chance de experimentar.

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